“A necessidade não conhece leis.”
– Santo Agostinho

Em uma discussão com meu pai sobre as responsabilidades de casa, acabamos chegando a um ponto no qual perguntei a ele:
– Mas eu não posso fazer outras coisas como me divertir?
E logo ele respondeu com firme voz e semblante opaco:
– Claro que você pode. Agora se pergunte se você DEVE fazer essas coisas. Poder você pode tudo e qualquer coisa. Mas não é essa a questão.
E acabou aí nossa discussão.
Desse dia em diante preferi pensar nas minhas ações a partir da mesma lógica que meu pai me revelou naquele diálogo.
Quando considerei que “poder” se trata do fato de termos a possibilidade e capacidade de escolha, mas que “dever” se trata de avaliar quando, onde, como e por que executar a ação planejada, observei que dever é uma questão de responsabilidade, uma questão de entender se uma ação é válida ou não, e não somente se somos capazes de colocá-la em prática, pois isso é radicalmente superficial e pouco racional, correndo o risco até mesmo de ser classificado como subjetivo.
Dever é cumprir com uma missão, com um propósito que necessita de um ente que considere suas variáveis e consequências.

É assustador pensar em mundo em que o princípio das atitudes de cada um seja a simples possibilidade, “posso matar?”, “posso roubar?”, ao invés de se ater ao princípio de “devo matar?”, compreendendo o que cada ato gerará e se estamos de fato encarregados de fazê-lo em termos de responsabilidade. Ao se perguntar sobre poder ou dever fazer algo, incrivelmente, a resposta de uma é radicalmente diferente da outra. Valendo-se do que foi dito, Santo Agostinho, em meados da sua introdução etária à vida adulta, compreendeu bem o que poderia e o que deveria fazer com sua vida, e funcionou muito bem para ele!
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