Em uma matéria da Época NEGÓCIOS entitulada “Como o Uber sobrevive com prejuízo de US$ 1,2 bilhão e sem nunca ter dado lucro?”, abordam alguns acontecimentos consideravelmente recentes e negativos envolvendo a empresa Uber Technologies Inc. Alguns deles trata que “as últimas cifras destacam que a receita da empresa subiu quase 30%, chegando a US$ 3,8 bilhões. Mas o prejuízo líquido ainda está em quase US$ 1,2 bilhão.” O aplicativo da empresa possui quase nota 5 nas avaliações de usuários apesar dos muitos críticos, que dentre eles encontramos muitos taxistas e usuários que sofreram algum tipo de incidente como assédio por parte dos motoristas, mas os últimos ainda são uma parcela mínima mesmo com a quantidade de casos relatados.

“É preciso levar em conta que a atividade principal do Uber é providenciar um software que elimina intermediários. Essa tecnologia reduz muito os custos — comparando com os serviços tradicionais de táxis, por exemplo —, mas não é o suficiente”. O aplicativo gerou inúmeros benefícios para a população no quesito transporte, diversificando as opções disponíveis para locomoção diária, beneficiando também a economia ao gerar emprego para milhares de pessoas tanto desempregadas quanto os insatisfeitos com salários fixos e monotonia, entre outros. Obviamente uma empresa deve lucrar para promover os benefícios de sua proposta, porém o que está de fato acontecendo com a empresa Uber?
Adam Leshinsky, que participa da matéria, afirma que “o que o Uber tem é um tamanho gigante e facilidade de uso”, o que certamente lhe proporcionou o sucesso que contemplamos. Mas qual a razão para um prejuízo tão alto da empresa tendo tantos motoristas e usuários em diversos países? Pensa-se que uma empresa que atinge o público de forma certeira como a Uber deva permanecer firme. Um dos argumentos na matéria da Época NEGÓCIOS é a seguinte:
A principal maneira que Uber e seus competidores, como o Lyft, poderiam fazer dinheiro é se sua competição brutal de preços acabasse. Atualmente, subsidiam suas viagens em muitos mercados ao redor do mundo, e o fizeram durante muitos anos. Se seus preços subirem, terão melhores perspectivas de lucro.
Entretanto, a empresa encontrou uma forma de eliminar intermediários principalmente burocráticos, facilitando que os parceiros se tornassem motoristas sem a necessidade de contratação formal entre outros tipos de vínculo, o que possibilita valores acessíveis ao usuário, o que providencia que a empresa – consequentemente os motoristas – tenha uma base alta de clientes. Ao atingir este ponto, implicaria no aumento ou diminuição da receita.

Considerando o que foi dito anteriormente, chegamos a um ponto mais consistente para identificação dos problemas que a empresa vem tendo na sua receita. Em matéria da BBC News “O paradoxo do Uber: como o aplicativo libera e aprisiona seus motoristas na ‘economia colaborativa'”, encontramos alguns pontos interessantes, como por exemplo:
São novas formas de trabalho flexíveis e libertadoras ou meios para um tipo de controle remoto do trabalho que mina direitos básicos?
[…]O centro da controvérsia em torno do Uber é que a revolução que causou não é apenas econômica, mas também jurídica. As leis trabalhistas que antes eram razoavelmente claras tornaram-se confusas, como a questão de saber se os motoristas do Uber são ou não empregados da empresa.
Nos últimos meses, mais do que nos anteriores, as críticas sobre direitos trabalhistas e questões jurídicas envolvem a Uber intensificaram e hoje ganham até o amparo de orgãos reguladores e protestos – quando não multas – de sindicatos. Na matéria da BBC News segue-se dizendo:
Meera Joshi, ex-chefe da Comissão de Táxis e Limusines de Nova York, responsável por regular serviços como o Uber em toda a cidade, diz que dados mais precisos são essenciais.
[…] A comissão de Joshi forçou a Uber a fornecer dados sobre motoristas que operam em Nova York. “O que descobrimos foi que as condições eram piores do que os motoristas nos descreveram, e 96% ganhavam menos que o salário mínimo na cidade. A maioria dos motoristas era a principal fonte de renda de suas famílias”, acrescenta.
Depois que o órgao regulador implementou proteções referentes ao salário mínimo para cobrir os 80 mil motoristas de Nova York envolvidos, US$ 225 milhões (R$ 942,6 milhões) por mês “voltaram aos bolsos dos motoristas”, diz Joshi.
As regulamentações encima dos responsáveis pelo aplicativo não se resumem apenas às multas citadas no trecho acima, mas extendem-se ao ponto de impor leis. Explica-se isso brevemente na matéria da Época NEGÓCIOS:
Isso implicou uma luta constante com reguladores e legisladores. Na Califórnia, um dos principais mercados do Uber, uma lei que exige que a empresa trate motoristas como funcionários foi aprovada.
O Uber está lutando para conseguir uma isenção. “Se não conseguirem e tiverem de pagar seus motoristas como funcionários ou restringir as horas que trabalham, será outra razão pela qual terão dificuldades de fazer dinheiro”, observa Leshinsky.
Aparentemente, a razão para a drástica queda financeira da empresa está envolta em burocracia. Multas, regulações, uma empresa que ganhava parceiros diariamente agora se vê nas mesmas condições de empresas com sistemas formais, mesmo que essa não seja uma delas. E, de forma assertiva, na matéria da BBC News fala-se sobre um paradoxo a respeito do tema.
O estudo da Universidade Oxford também destaca que os motoristas da Uber têm níveis mais altos de satisfação com a vida que outros trabalhadores, mas também níveis mais altos de ansiedade. “É o paradoxo do Uber“, diz Duncan McCann, pesquisador da New Economics Foundation.
“É uma prisão e algo libertador. Você pode ativar o aplicativo e começar a trabalhar, mas, se você tem uma família para sustentar, é obviamente menos flexível. Você precisa trabalhar quando há mais demanda: horários de pico e fins de semana.”
Normas reguladoras, entre outros recursos burocráticos, em muitos casos negligenciam a diversidade de caso para caso e ignoram fatores decisivos para o crescimento e desenvolvimento na economia e qualidade de vida num país. Em caso da Uber Technologies Inc. quebrar, todos aqueles que trabalham se utilizando de seu aplicativo perderá o trabalho, e com isso os usuários perderam um serviço de extrema importância. Mas como base para tal imposição fala-se em “direitos trabalhistas” e qualidade de vida. Ganhar pouco mas ganhar, além de sustentar-se e ainda mover a economia não é o fundamental, mas sim que todos paguem por algo que não lhe retribuirá ou mais tarde lhes cobrará caro. De fato, é um paradoxo, mas não só do Uber, e sim do Estado em si.