Governo chinês proíbe consumo de cães e gatos. Razões?

Em 09 de Abril saiu no portal de notícias EXTRA.Globo que:

Pela primeira vez na Chinacães e gatos foram excluídos de uma lista oficial que determina os animais comestíveis e que devem estar sujeitos à regulamentação. Agora, eles, cuja carne ainda é consumida por uma minoria da população chinesa, são classificados como animais de estimação, de acordo com um comunicado publicado […] pelo Ministério da Agricultura.

É de conhecimento público que na China existe o festival de tradição no sul do país chamado Yulin, onde principalmente cães são abatidos, com métodos cruéis e sem regras de higiene, para o consumo de sua carne todos os anos.

Continua na notícia:

A associação americana Humane Society International estima que 10 milhões de cães são mortos a cada ano na China por sua carne.

Entre as razões para tal medida, ou ao menos o divulgado, foi que:

Essa decisão foi tomada após a proibição do comércio e consumo de animais selvagens em fevereiro. Acredita-se que o coronavírus tenha se originado em morcegos e pode ter sido transmitido aos seres humanos por espécies intermediárias à venda nos mercados da cidade de Wuhan, onde o vírus foi identificado pela primeira vez.

Na revista Pesquisa FAPESP encontra-se um artigo afirmando que há indícios de que a origem do COVID-19 pode realmente estar ligado aos morcegos segundo análises genéticas.

Os estudos sobre o vírus de pessoas infectadas na China indicaram que o 2019-nCoV é uma nova variedade do gênero Betacoronavirus, distinta dos coronavírus causadores da síndrome respiratória aguda grave (Sars). O novo tipo apresentou 88% de semelhança genética com dois coronavírus derivados de morcegos coletados na China, reforçando a hipótese de que esses mamíferos seriam a fonte do microrganismo que infectou seres humanos ao ter contato com as fezes dos animais.

É possível que entre as razões determinantes para a adoção de medidas que abdicam de tradições tão fortes como o Yulin se dá por alguns fatores especiais, entre eles: o medo de consequências desconhecidas ou fora de alcance, conveniência (não necessariamente relacionado à convenção) ou a compreensão dos padrões e da natureza moral, o último está sempre entre os mais difíceis de ser adotado quando envolto em secularismo e laicidade.

Independente do que um governo autoritário e protecionista como o da China imponha para sua população, existem conceitos, princípios e tradições que vão muito além da conveniência econômica ou manipuladora de um festival de carne canina. O que se sente por um animal ou por atos de crueldade não se resumem ao determinismo de uma constituição.

Ao questionar por que não comer cães ou gatos, todos estão convictos de que um animal tão sociável e sentimental não deveria ser tratado de modo tão simplório e brutal. Mas fora do ambiente de cuidado aos animais por um instante, pensemos em uma das – senão a maior – base moral que há sobre a posse da civilização ocidental, a Bíblia. Nela encontramos as recomendações do que é puro e impuro, aquilo que deve ou não adentrar o “templo do Espírito Santo” (o corpo), porém essas recomendações vêm muito antes de análises genéticas, algo que talvez modernidade nenhuma poderá mudar crendo ou não na Bíblia e sua procedência.

Fora questões políticas e científicas, qual a mera possibilidade de uma população tão simplesmente aderir a uma culinária que integra uma criatura como o morcego ao seu prato do dia? Talvez uma população perdida, fora do rumo, ou talvez, apenas por especulação (sendo sarcástico), um governo que não se preocupa em abandonar por completo qualquer forma de ética em seus atos.

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Propostas da Realidade Virtual

Numa matéria da revista RollingStone com a chamada “Mãe ‘revê’ filha morta há quatro anos com ajuda de realidade virtual” é apresentado um cenário com fundo verde, rodeado de tecnologia de interação e hologramação e o visor que fabrica a perspectiva para o usuário. “Com o uso dessa tecnologia cada vez mais popular, Jang Ji-sung conseguiu brincar novamente com a filha Nayeon, que morreu aos 7 anos”, diz-se em seguida.

Ao seguir com a matéria, é dito o seguinte:

O canal de televisão sul-coreano MBCLife exibiu no último dia 6 (02/20), como parte de um documentário, o emocionante reencontro entre uma mãe e a filha morta em 2016, com o auxílio da cada vez mais popular tecnologia de realidade virtual.

Com o aparelho completo (composto por luvas, fone e óculos de VR) Jang Ji-sung conseguiu interagir com Nayeon, que morreu aos sete anos devido a uma doença incurável.

De acordo com o site PC Gamer, a equipe responsável pelo documentário demorou oito meses para criar todo o cenário do momento e também para recriar a menina.

A proposta da tecnologia de realidade virtual, ou o que poderia vir a ser uma réplica do pensamento Cartesiano sobre o mundo, deixou de se aplicar unicamente ao lazer e diversão, passou de um plano para outro: o de se tornar a realidade dominante. Neste caso em particular, aborda-se um caso trágico em que uma mulher/mãe perde sua filha, e como algo natural do próprio ser humano, que é o sentimento e o apego ao que se torna essencial na vida, como um filho, propor a possibilidade de vivenciar momentos marcantes é tentador, e mesmo compreensível, mas a infelicidade do todo avaliado é: existe um mundo de paredes de fundo verde, luvas, fones e óculos de RV onde é construído o que se quer ou não viver ou reviver e existe o mundo onde, bom e/ou ruim, acontecem tragédias que devem ser superadas, pois o RV, ainda que de uma tecnologia surpreendente, não impedirá que os carros passem por uma rua movimentada mesmo que se veja um campo florido em seu lugar.

Com o uso dessa tecnologia cada vez mais popular, Jang Ji-sung conseguiu brincar novamente com a filha Nayeon, que morreu aos 7 anos.

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Avanços e Desafios da Mobilidade Urbana

Ilustração de uma cidade com todos os tipos de inclusão em questão de mobilidade urbana.

Quando o assunto é mobilidade, há muito mais complexidade do que o famoso vai e vem de carros e motos, trata-se também de sustentabilidade quanto aos meios de transporte utilizados no dia a dia e a acessibilidade daqueles que se encontram em condições desfavoráveis em questão de locomoção.

A mobilidade, principalmente nas metrópoles, envolvem distribuições de espaço público para os mais variados tipos de automóveis, coletivos e individuais, além de pedestres e bicicletas que compõe uma porcentagem relevante considerando as inovações em conscientização quanto aos cuidados com meio ambiente e manutenção da saúde.

Mas os dados, em certa perspectiva, podem ser preocupantes, a exemplo do relatado pela Associação Nacional de Transportes Urbanos, onde afirma que dos 5570 municípios do Brasil apenas 2901 oferecem serviços de transporte urbano, equivalente a 52% da nação.

Apesar do constatado pela ANTU, existem medidas e planos que estão ou já foram colocados em prática que vieram para colaborar no progresso da mobilidade urbana, como os recentes porém já famosos patinetes públicos, dando outra alternativa às bicicletas. Em São Paulo, mediante a parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o Banco Itaú, foram construídos bicicletários onde você pode estacionar o veículo gratuitamente após realizar um cadastro que estão dando o que falar. No site SP na Bike há um relato de que um bicicletário, estruturado em 2017, próximo ao Metrô Paraíso registrou aumento no uso de sua capacidade. Diz-se no site que este “tem registrado uma média de 81% de uso de sua capacidade de 52 vagas no dia a dia”.

Ruas de São Paulo. Calçada, ciclovia e faixa de ônibus.

Outra ferramenta que de certo modo colaborou com o uso menos individual dos veículos automóveis foi o próprio aplicativo da empresa multinacional Uber Technologies, prestadora de serviços em transporte privado. Sua colaboração com o transporte não foi somente no tocante a prestar um serviço mais em conta pela ausência de burocracia, mas por promover o transporte de clientes que antes precisariam de um automóvel mesmo que para percorrer pequenas distâncias, agora estes não mais usarão carros espaçosos e, em sua maioria, poluentes demais para a locomoção de um único indivíduo.

Existem várias ideias e projetos tramitando para tratar da situação atual na mobilidade urbana. As ciclovias criadas em benefícios de ciclistas em grandes cidades, ainda que criticado por muitos usuários de automóveis, vantajoso ou não, foi criado com o intuito de favorecer um transporte mais limpo e sustentável. Em muitos pontos, esse entre outros projetos se mostrou carente em estratégia e planejamento, considerando que ruas foram estreitadas para uma movimentação de ciclistas muito abaixo do esperado, com exceção de regiões como Higienópolis, na cidade de São Paulo. Entretanto, as faixas exclusivas para ônibus se apresentou mais aceita por boa parcela do público.

O trabalho, porém, continua devido a necessidade de medidas como adoção de esteiras e escadas rolantes (para cidades não-planas) e construção de mais linhas de metrô, além de pavimentação e reestruturação de calçadas em ruas residenciais.

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CORONAVÍRUS – Uma demonstração de autoritarismo e ineficiência

Chineses diagnosticados com o epidêmico Coronavírus.

Segundo uma notícia divulgada no UOL Notícias, um médico do Hospital Central de Wuhan, o oftalmologista Li Wenliang buscou alertar sobre a possibilidade epidêmica do Coronavírus.

De acordo com a notícia:

No início de janeiro, autoridades da cidade chinesa de Wuhan tentavam manter sob controle informações sobre o avanço do novo coronavírus. Quando um médico tentou fazer alertas a colegas sobre o surto, a polícia foi até sua casa e lhe ordenou a parar.

(…)Ele trabalhava no centro do surto de dezembro quando soube de sete casos de infecção por um vírus com sintomas semelhantes à Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), que matou mais de 700 pessoas no início dos anos 2000.

Em uma sequência de parágrafos adiante da notícia é dito o seguinte:

Quatro dias depois do alerta que fez aos colegas, ele recebeu em sua casa a visita de agentes do Escritório de Segurança Pública, que o obrigaram a assinar uma carta. No documento, ele era acusado de “divulgar informações falsas” que “causaram distúrbios graves à ordem social”.

“Nós o alertamos solenemente: se você continuar sendo teimoso, com essa impertinência, e mantiver sua atividade ilegal, será levado à Justiça. Está entendido?”. Abaixo, há uma declaração à mão de Li: “Sim, entendi”.

Ele foi uma das oito pessoas que a polícia investigou sob acusação de “espalhar boatos”.

Demonstrando seu total descaso sobre um assunto de extrema importância, as autoridades chinesas possibilitaram, se não causaram, a propagação do que pode ser mais uma epidemia de alcance e letalidade indescritíveis. Percebe-se, baseado nas informações disponíveis na notícia, que não houve qualquer investigação ou análise circunstancial por parte daqueles que de fato poderiam agir com alertas e fazendo uso de grupos especializados em medidas preventivas de saúde, vigilância sanitária ou mesmo com especialistas na área em questão. A medida tomada com imediatismo das autoridades foi, simples e diretamente, ordenar que “baixassem a poeira” sobre o assunto.

Em outro parágrafo, mostra-se novamente o descaso quanto a medidas de emergência.

Ao longo das primeiras semanas de janeiro, autoridades da China insistiam que apenas quem teve contato com animais infectados poderia ficar doente. Descartando, portanto, a possibilidade de transmissão de uma pessoa para outra.

Não havia nenhuma orientação para proteger as equipes de saúde.

Uma semana depois de receber visita da polícia, Li estava tratando uma mulher com glaucoma. Mas ele não sabia que a paciente estava infectada com o novo coronavírus e acabou doente também.

Na tentativa de justificar-se, o Comitê Central do Partido Comunista da China admitiu ter errado na resposta ao avanço da doença no país dizendo que “precisam melhorar o sistema nacional de gerenciamento de emergências e melhorar as habilidades em lidar com tarefas urgentes e perigosas”. A primeira melhoria que deveria ser feita seria não usar como a censura como método instantâneo e sem escrúpulos para “lidar” com situações sérias.

Em razão da triste e decepcionante notícia, o economista e apresentador de TV Ricardo Amorim pronunciou-se sobre o acontecimento numa postagem em suas redes sociais.

A China e suas contradições. Morreu ontem, infectado pelo coronavírus, o médico Li Wenliang, que fez o 1º alerta sobre o vírus e foi inicialmente repreendido pelas autoridades chinesas por isso. Segundo as primeiras reações das autoridades de Wuhan, ele – que estimulava a população e profissionais da área da Saúde a tomarem medidas preventivas para evitar a contaminação – “espalhava boatos e divulgou informações falsas que causaram distúrbios graves à ordem social”. Ele foi, inclusive, ameaçado de ser levado à Justiça caso continuasse com os alertas.

Se as autoridades tivessem apoiado e divulgado seus alertas, ao invés de reprimi-los, o surto provavelmente não teria tomado as proporções que tomou. É uma pena que um país com a capacidade técnica para construir um hospital em 9 dias tenha um regime político que vê e reage a um alerta médico como uma ameaça ao próprio regime.

Governos autoritários, não só na China, mas tendo neste momento como um exemplo maior, parecem flertar com ineficiência e descaso a cerca de temas de importância para o povo. Mas há um ponto ainda mais importante a ser notado: aqui temos um claro caso do problema de censura. Às vezes, a informação escandalosa, ou mesmo absurda, é verdadeira, e o método mais eficaz de encará-la não é cortando a língua de quem fala, mas sim pedir por esclarecimentos e considerar, sempre, ao menos uma pequena parcela de atenção real. Para todos aqueles que são favoráveis à censura de “fake news” e negacionismo, assim como se costuma pedir a procedência de informações conflituosas, que estes tenham a mínima condição moral de fazer o mesmo e provar com que fundamento faz-se tais acusações e promove medida tão radical. O preço a se pagar para ocultar o que é incômodo por ser caro, como a morte de centenas de milhares de pessoas.

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