Legalização do Aborto e sua Diminuição

Protestos em Washington D.C., nos Estados Unidos, em favor da legalização do aborto.

Entre os maiores e mais usados argumentos em favor da legalização do aborto, inclusive no Brasil, está sempre presente o pressuposto de que ao legalizá-lo as estatísticas de tais procedimentos diminuirá. O problema dessa hipótese entre outras do mesmo nível de superficialidade é a tentativa de passar a mensagem de que a causa potencial e de existência deste tipo de prática é a proibição. Não é verdadeiro, e mesmo quem passa essa impressão sabe que não se trata disso.

Incoerência nº1: se a proibição é em si mesmo o problema maior, então de certo o problema central está longe de relacionar-se às estatísticas de mortes em clínicas clandestinas ou gravidez de risco.

Incoerência nº2: assim como o tráfico de cigarro e bebida existe independentemente de seu uso e venda serem permitidos por lei, clínicas ilegais de aborto continuariam a existir e serem procuradas sob o mesmo princípio: lucro e facilidade. Por exemplo, a clínica X afirma realizar o procedimento de imediato ao invés de meses de aguardo para fazê-lo através do SUS, porém eles não se responsabilizam por qualquer efeito colateral nem seguem qualquer protocolo ético para o ato. Mesmo sendo absurdo, ali haveria clientela pois eles propõem menos tempo de espera. Outro exemplo funcionaria com base no valor da “cirurgia”.

Ilustração de cartazes de protesto em favor do direito ao aborto.

Numa notícia de junho de 2018 no portal de notícias UOL, encontra-se a seguinte chamada: “Aborto cresce 37% em seis anos de legalização no Uruguai”.

Com a legalização do aborto, o Uruguai viu o procedimento crescer 37% no país, na comparação com o primeiro ano completo com a lei em vigor (2013). No ano passado, foram registrados 9.830 abortos, o que equivale a uma média de 27 por dia, ou mais de um por hora, segundo o Ministério da Saúde do país.

As estatísticas relacionadas à diminuição de mortalidade materna e saúde geralmente têm distorções e/ou manipulações na base dos dados, como dizer que os casos de aborto diminuem ao legalizá-lo usando os casos ilegais como padrão para formá-lo. Obviamente, legalizando algo você diminui os casos ilegais dessa prática.

Entendendo isso, vemos mais este trecho da notícia:

Pesquisadores da área dizem que a legalização do aborto diminui a mortalidade materna. Estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2015 revelou que o Uruguai tinha a menor taxa de mortalidade de gestantes da América Latina e Caribe, mas não é possível correlacionar o dado à legislação do país.

Segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde local, em 2016, a taxa de mortes de mulheres por causa de complicações na gravidez, parto ou pós-parto, foi 19,1 para cada cem mil nascidos vivos. O índice é menor do que o de 2015 (22,6), mas maior do que o de 2013 (18,5).

Ou seja, não é possível afirmar que a legalização foi de fato eficaz. Existem variáveis sendo desconsideradas, e isso não é cientifica nem intelectualmente honesto.

A notícia termina com o seguinte parágrafo:

O relatório mostrou também que os abortos são feitos com frequência parecida em países de leis mais rígidas e naqueles com legislações que não restringem a prática, indicando que as mulheres optam por interromper a gravidez independente do que diz a lei.

Eis a grande pergunta a se fazer caso o dito anterior seja verdadeiro: se não há qualquer relevância entre a legalidade e ilegalidade do aborto, as informações sobre o aumento na procura do procedimento no Uruguai são falsas ou somente contraditórias? Os dados não batem.

https://veja.abril.com.br/saude/aumenta-o-numero-de-abortos-de-risco-no-mundo-diz-oms/

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Entre Poder e Dever

“A necessidade não conhece leis.”

– Santo Agostinho
Uma das muitas pinturas representando passagens da vida de Santo Agostinho.

Em uma discussão com meu pai sobre as responsabilidades de casa, acabamos chegando a um ponto no qual perguntei a ele:
– Mas eu não posso fazer outras coisas como me divertir?
E logo ele respondeu com firme voz e semblante opaco:
– Claro que você pode. Agora se pergunte se você DEVE fazer essas coisas. Poder você pode tudo e qualquer coisa. Mas não é essa a questão.
E acabou aí nossa discussão.

Desse dia em diante preferi pensar nas minhas ações a partir da mesma lógica que meu pai me revelou naquele diálogo.
Quando considerei que “poder” se trata do fato de termos a possibilidade e capacidade de escolha, mas que “dever” se trata de avaliar quando, onde, como e por que executar a ação planejada, observei que dever é uma questão de responsabilidade, uma questão de entender se uma ação é válida ou não, e não somente se somos capazes de colocá-la em prática, pois isso é radicalmente superficial e pouco racional, correndo o risco até mesmo de ser classificado como subjetivo.
Dever é cumprir com uma missão, com um propósito que necessita de um ente que considere suas variáveis e consequências.

Pintura de Santo Agostinho.

É assustador pensar em mundo em que o princípio das atitudes de cada um seja a simples possibilidade, “posso matar?”, “posso roubar?”, ao invés de se ater ao princípio de “devo matar?”, compreendendo o que cada ato gerará e se estamos de fato encarregados de fazê-lo em termos de responsabilidade. Ao se perguntar sobre poder ou dever fazer algo, incrivelmente, a resposta de uma é radicalmente diferente da outra. Valendo-se do que foi dito, Santo Agostinho, em meados da sua introdução etária à vida adulta, compreendeu bem o que poderia e o que deveria fazer com sua vida, e funcionou muito bem para ele!

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Comentário Sobre o Debate entre Ceticismo e Religiosidade

Assunto batido? Nem pensar! A espiritualidade e o que se considera sobre sua influência no mundo material – isso se este não for uma composição do mesmo como na Teoria das Formas de Platão – é algo substancial para abordagem. Este é um assunto que há de se discutir enquanto se mostrar relevante na vida do homem mais simplesmente ao homem mais próspero.

Para o mesmo, vamos inicial a discussão com uma observação um tanto perspicaz de um grande amigo que, infelizmente, não pude conhecer pessoalmente. Este chama-se Gilbert Keith Chesterton!

“Ninguém supõe que o melhor crítico de música seja o homem que fala com desprezo sobre a música. Mas há uma ideia de que um homem é o correto juiz da religião porque ele a olha com desprezo.”

– G. K. Chesterton
Este é Chesterton. Escritor de diversos livros, entre eles estão os famosos “O que há de errado com o mundo” e “Ortodoxia”.

Existe uma comunidade nas mídias sociais Facebook e Instagram chamada Sociedade Chesterton Brasil, da qual eu sigo as publicações e atualizações há tempos! Nela há um comentário em relação ao dito acima. Que está assim:

“Há quem pense que o ateu é o imparcial quando o assunto é discussão religiosa.

A recusa da religião é uma postura religiosa. Não há nada de polêmico em reconhecer isso, é apenas honestidade.”

Sociedade Chesterton Brasil

Assim como se abster é a decisão de não agir ou tomar partido sobre determinado assunto, o ateísmo e o ceticismo não deixa de ser a escolha do indivíduo de não confiar no pressuposto de que há o sobrenatural e/ou divino. Mas apesar de tudo, não se trata necessariamente em ser crítico, ou o oposto. Crítica é a “arte de julgar”, como encontra-se em algumas definições literárias, e ser crítico pode ser tanto assumir um ponto de vista coerente quanto outro, e nessa análise, o que deverá sair vitorioso será sempre o lado mais coerente com a realidade perceptível e experimental.

Por esta e outras razões que o debate deve continuar e existem, como revelado na brilhante fala de Chesterton, incoerência quanto a procedência de um dos lados. Obviamente, o mesmo pode ocorrer no lado oposto, mas independente de lados, a honestidade deve ser cobrada.

*Ceticismo no tema em questão relata o conceito de ceticismo que permeia no meio científico e religioso, não nas definição encontradas em dicionários.

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Crime Como Inimigo Nº 1 da Sociedade

Outro dia assisti a um trecho de vídeo em que um capitão da Polícia Militar alegava firmemente que, quando o criminoso comete tal ato, em especial o furto e roubo por conta do tema abordado na entrevista, este não leva apenas o bem material, mas também leva o tempo. Sim, o tempo! Tempo que o trabalhador investiu em seu serviço para receber o equivalente ao produto comprado, tempo longe de sua família para adquirir as devidas condições financeiras, tempo investido no exercício de sua função ao invés de qualquer outra prática, e a linha se segue neste padrão.

“Cuida de evitar os crimes, para que não sejas obrigado a puni-los.”

– Confúcio

Diferente do que as Márcia’s Tiburi alegam por aí sobre “lógica do assalto”*, o crime é, de fato, o maior vilão do cidadão trabalhador e da economia estável, pois este ignora o valor real investido em cada um dos produtos que toma, e não bastando isso, o toma do único indivíduo que o sabe.

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